sábado, 31 de outubro de 2009

Trajetória - Jeremy Camp


Antes de lançar seu primeiro álbum, Jeremy Camp já fazia parte do Ministério de Louvor de sua faculdade (Escola Bíblica do Sul da Califórnia.) Durante este período de sua vida, ele liderava o louvor em diferentes igrejas e reuniões de jovens que aconteciam ao redor da Califórnia. Foi em uma dessas reuniões que ele conheceu Melissa. Apenas seis meses depois que Jeremy e Melissa estavam juntos, ela obteve um diagnóstico de câncer. Enquanto ela já parecia conformada com a morte, Jeremy prometeu que caso ela se curasse, se casaria com ela. Enquanto Melissa e Camp estavam na lua de mel, o câncer começou a voltar e assim que eles haviam retornado para casa, eles descobriram que Melissa teria apenas alguns meses de vida. Durante os meses em que Camp passou com Melissa no quarto do hospital, tocava músicas para ela, no que foi aperfeiçoando musicalmente, enquanto foi reafirmando suas convicções religiosas.

Enquanto estava em sua lua de mel, Camp havia escrito uma canção que se encontra em seu primeiro CD, “Walk By Faith”. Logo depois da morte de Melissa, Jeremy escreveu outra canção que virou número 1 nas radios americanas, “I Still Believe” (Eu Ainda Acredito), sobre os problemas que enfrentou durante a doença e morte de sua esposa.

O desejo de Melissa foi realizado quando o álbum de Jeremy Camp saiu nas lojas, e quando ele saiu para a turnê. Durante suas viagens, Camp teve a oportunidade de compartilhar a sua história com muitas outras pessoas que estavam passando por dificuldades similares a dele. Recentemente ele gravou a canção I Am Willing para a trilha sonora do desenho


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Músico ou Levita?


Nem todo músico é Levita, mas todo Levita deve ser um bom músico.
Sua origem está na tribo de Levi, uma das doze tribos de Israel, e esta tornou-se destacada entre as demais no episódio da idolatria do povo de Israel ao bezerro de ouro ( Ex.32:26), e a partir deste momento, esta família teve real importância na vida e no culto Israel.
Tal importância levou Moisés dedicar um livro do Pentateuco a esta tribo, o livro de Levíticos; tiveram uma "MISSÃO" de maior responsabilidade: cuidarem do Tabernáculo (Nm.1:49-54).

Nessa época a música não estava associada ao serviço do culto. O Levita auxiliava o Sacerdote no culto e nas obrigações do Tabernáculo: Levita auxilia na Celebração!!!
Foi Davi, quem agregou a música ao culto judaico, e separou dentre esta tribo os que eram hábeis e de vocação à ministrarem ao SENHOR com instrumentos e com vozes. Em I Cr.23:13,26-32, encontramos uma descrição clara da "MISSÃO" do Levita e de sua função. No Cap. 25:1 nos mostra como estavam agrupados estes Levitas para o serviço do culto.

Podemos, então, entender que Levita é alguém:
- que sabe "SERVIR";
- que entende o seu papel e sua "MISSÃO" (II Cr.3:3-14; 29:31; Ed.8:15-20);
- que sabe ser "ADORADOR" (Sl.134; 84:4).

Vocação. Acredito que vocação é muito mais que simples aptidão ou dom natural.
Ter talento para determinada função na vida e principalmente na Igreja, não representa, necessariamente, que isso seja vocação.

Na verdade hoje enfrentamos uma certa crise com a falta de Músicos (Levitas) em nossa Igreja. Identificar realmente quem é chamado a ser um Levita é um grande desafio.

Aquele que é escolhido é preparado por Deus à exercer determinada função, veja (Ef.4:11,12; At.13:1-3). Uma grande verdade que precisamos concordar: “Deus não escolhe apenas os capacitados, mas capacita aos Seus Escolhidos” (Ex.35:30-36:1,2).

Que possamos identificar em primeira instância alguns elementos importantes e básicos em nossa vocação:

- Não existe Vocação sem antes uma genuína Transformação e Regeneração do ESPÍRITO SANTO em nossas vidas. É necessário Nascer de Novo, um verdadeiro "AVIVAMENTO" .
- JESUS nos chamou para sermos Discípulos e não adoradores profissionais.

Nossa "MISSÃO" é sermos discípulos do Bom Mestre e "AVIVAR" . A adoração é conseqüência de uma vida de comunhão com JESUS. Adorar é aprender com o SENHOR no caminho, a isso, eu chamo de CHAMADO.
Aqui fica-nos o desafio de fazermos a diferença, em nosso Ministério e em nossas Vidas.

Que sejamos verdadeiros LEVITAS!!!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Luciano Manga lança livro que narra seu tempo no Oficina G3


A MK Editora acaba de lançar o livro do Pr. Luciano Manga, Meus Dias no Oficina G3. A obra revela detalhes do período em que Manga integrou uma das mais expressivas banda de rock gospel do país como vocalista. O livro pode ser considerado um registro histórico do grupo. O autor aborda nas 105 páginas a explosão da música como ferramenta de evangelização, que teve o Oficina G3 como um dos protagonistas.

O livro relata episódios curiosos da banda que tem mais de 20 anos de estrada. Pra quem curte viajar no tempo, as fotos são muito atrativas e mostram flashes de momentos vividos por Manga ao lado dos integrantes do grupo. Desde o início de tudo – na Igreja Cristo Salva, conhecida como “do Tio Cássio” no chamado G3 (Grupo 3) – até os últimos dias em que o autor foi integrante da banda.

Estão lá descritas as viagens, entre elas Uruguai, Argentina e Estados Unidos, testemunhos, uma reflexão sobre influências e mudanças, uma lembrança do skate no palco, da aventura de “mosh” (saltar no meio da platéia durante os show) que quase acabou no hospital, entre muitas outras histórias. O tema preconceito ganhou um capítulo do livro. Lá, Manga defende sua tese e fala de como enfrentou esse desafio em seu ministério.

Separamos abaixo alguns trechos do livro:

“Comecei a pastorear uma igreja da Renascer em Cristo em 1995 e a banda foi junto para lá. O que muita gente não sabe é que o Oficina G3 é quem liderava os momentos de louvor aos domingos e tocava canções que eram cantadas em todas as igrejas Renascer em Cristo, conforme o cd “Renascer Praise”. Não tocávamos as músicas da banda e nem transformávamos tudo em rock´n roll. Por ai se observa o coração de cada um dos integrantes e compromisso com a igreja local”.

“Canções e mais canções começaram a surgir e todas elas eram apresentadas em primeiro lugar nas reuniões de segunda-feira no “Tio Cássio” para depois ser tocadas em outros espaços. Éramos fiéis aos nossos líderes e comunidade que nos dava total liberdade. Não aceitávamos convites para tocar aos domingos, pois entendíamos que tínhamos que servir a nossa comunidade, e isso foi o que, em princípio, muita gente não conseguia entender. Para nós era claro: em primeiro lugar tínhamos um compromisso como grupo de louvor e adoração, tínhamos um líder e entendíamos o princípio de submissão. Domingo dedicávamos à nossa comunidade.”

“O cenário hoje já não é como foi no início. Muita coisa mudou. Alguns utilizam o segmento para ganhar dinheiro, deixando de lado a proposta evangelística que sempre foi a marca do movimento. Acredito que o movimento perdeu a sua força, porém ainda podemos utilizar os princípios que nutriam o movimento e fazer uma música com qualidade, letras que comunicam uma verdade e trazer a tona a paixão pelas vidas e não vê-las apenas como cifrão, como pessoas que consomem o que estamos produzindo. Muitos acabaram se profissionalizando, deixando de lado a paixão e a mensagem radical do Reino de Deus.”

“Algo que sempre foi um valor no Oficina G3 é o respeito, principalmente com aqueles que não entendiam o que estávamos fazendo. Se eles não entendiam, então o melhor era não ir até eles. Não fomos chamados para agredir ninguém. Não fomos chamados para mostrar que somos melhores, e, muito menos, impor o ritmo que gostávamos para aqueles que não gostavam.”

“Atrás desse tom de brincadeira existe uma verdade, pois ele sempre foi dedicado nos estudos, tocava horas com afinco e buscava sempre o aprimoramento. Sempre buscava informações dos novos equipamentos e tinha uma dedicação minuciosa em produzir timbres perfeitos, principalmente nas gravações. Essa dedicação e paixão pela guitarra acabaram produzindo frutos, pois acabou sendo patrocinado por fabricantes de guitarras, cordas e pedais. Todo esse empenho é uma lição para aqueles que pretendem tocar um instrumento e fazer com que o nome do Senhor seja glorificado, pois é isso que Juninho Afram tem feito durante esses anos no oficina G3”.

Realmente o livro é uma leitura histórica para a música gospel no Brasil, além de ter uma narrativa bem leve e tratar de experiências edificantes. Vale a pena adquirir.

Sobre o autor: Luciano Azevedo Kuhn (Manga) é pastor da Vineyard no Rio de Janeiro, faz parte da equipe da Vineyard Music, conferencista internacional e cantor. É casado com Cristina Kuhn (Pita) e pai do Kauê e Lucca.

Novo DVD (FÈ) André Valadão

Em agosto de 2009 foi lançado o registro áudio visual da gravação de , o mais recente lançamento de André Valadão. O cd do evento foi lançado em março e o repertório é idêntico nos dois trabalhos. A exceção fica por conta da faixa 12, Pequeno amigo que só foi aproveitada no dvd.

No menu de extras temos um making off e imagens do ensaio, além é claro, de um álbum de fotos.

O making off é conduzido pelo diretor Alex Passos e traz cenas dos bastidores de toda estrutura do evento ocorrido em 17 de janeiro na Praia da Costa – ES, com presença de 80.000 pessoas, durante o Jesus Vida Verão. Conta ainda com depoimentos do produtor musical Rubem Di Souza, de Carioca – diretor de fotografia, de Marcos Castro – Design Gráfico, Paulinho Lima – diretor, e de André e sua esposa, Cassiane Valadão.

O ensaio é uma rápida filmagem de uma reunião realizada na casa do cantor com um clima bem descontraído.

A embalagem do dvd também é um destaque à parte. A mídia vem em uma embalagem digipack muito bonita. A capa mantém a logo vazada que também foi usada na capa do cd.

Após um clipe de abertura, construído numa linguagem visual bem moderna, o show começa com o pop-rock Não tenho medo que versa sobre a soberania de Deus. A mixagem destaca bastante o trio guitarra, baixo e batera, mas o destaque do arranjo fica por conta dos ataques do naipe de metais que lembra suas primeiras composições registradas em “Mais que abundante”.

A balada pop Indiferente, de autoria de R. R. Soares, traz uma letra reflexiva e evangelística. A canção também pode ser encontrada no álbum “Minhas canções na voz dos melhores – volume 3”. Destaque para os clusters dos metais preenchendo os espaços do arranjo.

Pela fé fez parte do repertório de seu álbum anterior – “Sobrenatural”. O hino vem com uma sonoridade mais leve e uma estrutura maior em relação a gravação original. Trata sobre esperança e vem com um arranjo que flerta com a pegada do rock britânico. Destaque para os timbres de guitarra.

A seguir temos outra balada, desta vez conduzida por um violão folk. Vou crer da seqüência a idéia cantada no hino anterior, alusivo a fé, esperança e confiança em Deus. Destaque para as dinâmicas executadas pelo instrumental. Emenda com um momento espontâneo. No dvd inicia com um clipe.

A música que dá nome ao disco tem uma levada cativante. volta a tratar sobre confiança e esperança, desta vez fazendo alusão a promessas de Deus feitas a personagens bíblicos. Destaque para o back vocal e para a condução harmônica do órgão. Também emenda com um espontâneo.

Na faixa sete temos uma declaração de amor a Deus com uma sonoridade moderna, densa e intimista. Nosso amor segue a linha que fez o cantor alcançar notoriedade nacional e com certeza deve integrar a lista de hits do ministério.

Após uma rápida palavra gravada com efeitos que simulam uma gravação antiga entoamos Abraça-me, com o pastor cantando e tocando piano. O louvor tem uma harmonia envolvente e uma melodia muito boa de ouvir. É um belo momento de contrição e entrega. Também emenda com um espontâneo.

Dando seqüência a este momento de adoração contemplativa entoamos Cura-me Senhor. Destaque para a mudança de clima realizada no turn around final.

Com Cassiane (esposa) e Lorenzo (filho) no palco, André canta uma música de gratidão a Deus pelo pequenino. Conforme já foi dito no início do texto, Pequeno amigo ficou de fora do repertório do cd homônimo.

As três músicas que intitularam seus primeiros trabalhos marcam presença no medley Lembranças de Fé. Conduzidas por uma levada percussiva ouvimos o coro de “Milagre”, “Alegria” e “Mais que abundante”. Destaque para o groove feito pela guitarra, sopro, flauta, bateria, baixo e percussão.

Suas irmãs, Ana Paula e Mariana, fazem uma participação mais que especial em outra regravação. Eu nasci de novo fez parte do repertório do Diante do Trono 6 – Quero me apaixonar. No final mais um espontâneo alternado pelos três, com uma pegada vigorosa, inovadora (em ritmo de reggae) e com muita autoridade.

Com fé começa em ritmo de pop rock, mas em certos momentos o arranjo flerta com uma levada pop dançante, com o naipe de metais executando uma pegada soul bacana.

Fechando a gravação temos a festiva Eu vou, também do disco anterior “Sobrenatural”. As guitarras e o teclado que já vinham se destacando nas faixas anteriores, recebem o reforço de um contagiante naipe de metais. O arranjo, recheado de convenções, é muito bem bolado. A letra é constituída por uma série de clichês evangélicos.

Sua irmã, Mariana Valadão, lançou em setembro de 2009 seu pelo primeiro álbum solo pela Graça Music. Mas isso é assunto pra outro review...

Maiores informações podem ser obtidos no site: www.andrevaladao.com

Rodolfo Abrantes(ex RAIMUNDOS) Viaja para pregar nos E.U.A

Rodolfo Abrantes, ex Raimundos e Rodox, viaja para pregar nos EUA

O pregador evangélico Rodolfo Abrantes, 37, ex-integrante da banda “Raimundos”, esteve pela primeira vez em Danbury, Connecticut, no dia 11 de outubro. Pregando e tocando na All Nations Baptist Church, ele falou ao Comunidade News da missão religiosa e do contato com a comunidade brasileira.

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Rodolfo chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (7) e volta à cidade no dia 16, para participar do evento “GODFEST: A Christian RAVElution”, às 10pm, na mesma igreja. O cantor gospel percorreu ainda as cidades de Naugatuck e Bridgeport e os estados de Nova York e Carolina do Norte.

Bastante animado, Rodolfo percorreu várias igrejas, representando o Ministério Bola de Neve, onde ministra cultos. O cantor pregou mensagens, deu testemunhos e cantou hinos de adoração e louvor. No caso do evangelismo, segundo ele, é muito produtivo contar a própria história, especialmente para os jovens.

“Acho que quando Deus faz uma obra na nossa vida, é de muita ajuda compartilharmos isso. Às vezes as pessoas acham que não tem saída”, disse ele em entrevista exclusiva ao Comunidade News, complementando que Deus muda a vida. Quando o cantor fala de saída, se refere especialmente a quem entra no mundo das drogas.

Na opinião dele, a importância de estar entre a comunidade brasileira nos Estados Unidos é algo de grande valia, e que desmistifica o antigo Rodolfo. Segundo o cantor, ele antes era colocado num pedestal e tratado diferente. “Hoje em dia é muito legal poder estar de igual para igual, dividindo informações e compartilhando coisas que acontecem na vida. Acho que é um tipo de relacionamento muito mais saudável e proveitoso, quando você encurta esta distância para algo mais íntimo, digamos assim”.

Nascido e criado na classe média alta de Brasília, Rodolfo fundou a banda “Raimundos” com Digão. A banda de hardcore punk, com letras escrachadas e irreverentes, fez muito sucesso. No auge da carreira, Rodolfo saiu e fundou a Rodox. Mais tarde, por influência da esposa, Alexandra Horn, tornou-se evangélico. Gravou dois CDs nesta nova fase: “Santidade ao Senhor” e “Enquanto É Dia”. A “Raimundos” ainda existe, mas perdeu a evidência que tinha na época em que Rodolfo era integrante.
No dia 2 de novembro, o cantor volta para o Brasil. O período nos EUA serviu para rever velhos amigos e fazer novos. Mesmo convivendo com brasileiros, leva na bagagem algo mais. “Por mais que sejam todos brasileiros, a cultura aqui é diferente. Sempre se volta enriquecido”.

SBT parece continuar em guerra contra os evangélicos

SBT parece continuar em guerra contra os evangélicos, assista

Depois que o SBT afirmou que é contra lei ter programas evangélicos na TV a guerra parece ter sido armada, mas esta semana em dois programas da emissora o nível da disputa parece ter baixado.

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Em seu programa no SBT, o apresentador Ratinho debochou dos pastores que também têm programas em redes de televisão. Tudo aconteceu na tarde da última terça (20).

Carlos Massa brincou dizendo que não sabia como os pastores fariam a partir de agora para abençoar os copos de água, que eles mandam colocar em cima dos televisores, já que, como as TVs de plasmas são finíssimas, não teria como colocar copos em cima dos aparelhos.

Ratinho foi mais longe e, ainda em tom de brincadeira, disse que alguns pastores devem receber “espetadas na bunda” enquanto apresentam seus programas religiosos, porque eles ficam dando pulinhos diante das câmeras, enquanto vão falando e se exaltando, justificou o apresentador.

Na participação especial do jogador Ronaldo, do Corinthians, no programa dominical de Sílvio Santos, Lívia Andrade, ao lado do patrão e dono da emissora, disse que “Kaká está pastando” ao ouvir que o craque vai virar pastor. A repercussão da afirmação foi tanta que no twitter, o apresentador da TV Globo Luciano Huck chamou a Lívia de “louca”.

Banda U2 é cristã?

U2 é uma banda Cristã? O U2 tem uma carreira admirável no rock ‘n’ roll, tipo de música notório por recompensar artistas que cantam sobre coisas mais simples do que o mundo em que vivemos e o lugar que nele ocupamos.

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A banda – ou, em alguns casos, apenas Bono, seu homem de frente – já desempenhou o papel de pop star, pária, filho pródigo e proselitista. Porém, ao longo de seus 30 anos de carreira, a espiritualidade do U2 nunca rotulou sua música como rock cristão – estigma considerado medíocre no circuito comercial da música. O U2 vem mantendo primorosamente tanto seu lado espiritual como seu lado laico – em proporções que não limitariam seu alcance de público.

Greg Garret, professor da Baylor University e autor do livro “We Get to Carry Each Other: The Gospel According to U2” (Nós temos que nos apoiar: o evangelho segundo o U2), afirma que o rock cristão se tornou uma frase tóxica no pop por uma boa razão: “Temos a arte cristã, onde a arte é menos importante do que seu lado cristão. As crenças do U2 são filtradas em seu trabalho, mas nem por isso essa é a razão principal para que eles façam música”.

A reverenda Genevieve Razim, pastora associada da Palmer Memorial Episcopal Church, é quem diz: “Em minha posição episcopal, meu palpite sempre foi de que o moderno e o cristão podem ser compatíveis; e o U2 confirmou isso para mim. São inúmeras as mensagens na mídia de que ser cristão é o mesmo que ser rígido e intolerante, e eis que vem essa banda de rock fazendo perguntas importantes e expressando sua fé”.

Sendo assim, há anos o U2 vem fazendo canções sobre paz, justiça, espiritualidade e mistérios, e sua maneira de fazê-las revela uma inclinação ao que é elevado – seja o uso de salmos no início de sua carreira até sua visão panorâmica do mundo nos dias de hoje.

É importante ressaltar que o som do U2 tem muito a ver com seu sucesso de longa data. A banda Creed, por exemplo, é incessantemente criticada por fazer música copiada. A música do U2, porém, apesar de constantes mudanças, sempre foi imediatamente identificada como sendo única: seja a voz, os efeitos de guitarra ou a marcha militar da percussão. Como a música de Johnny Cash ou Nusrat Fateh Ali Khan, o som do U2, além de espiritual, é uma constante celebração (salvo algumas vezes em que mostra indignação), ao mesmo tempo em que atravessa limitações que alguns venham a encontrar em sua fé.

Fé particular

A arte de qualidade – seja ela religiosa ou não – deve ser imbuída de uma experiência reveladora para aqueles que a testemunham e a consomem.

Ainda assim, o U2 guarda uma relação tênue com o cristianismo. Os integrantes da banda são de uma época de sangrento conflito religioso em seu país de origem, a Irlanda. Três deles – Bono, o guitarrista The Edge e o baterista Larry Mullen Jr. – eram membros de uma comunidade cristã em Dublin que, segundo consta no livro de Garrett, os levou a acreditar que a vida no rock e a vida seguindo aquela fé não seriam compatíveis.

Garret questiona: “O que você faz quando é ferido pela instituição, mas ainda ama Deus?”

Uma reação é abandonar aquela instituição e começar sua própria. De certa forma, foi o que o U2 fez – apresentando ao público uma fé particular. A outra é tentar consertar a instituição já existente, que é o que Bono vem tentando fazer recentemente, proferindo palestras em igrejas por toda a América para estimular o auxílio à África.

Como é evidente no título de um dos maiores sucessos da banda, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” (eu ainda não encontrei o que eu procuro), ele se encontra em uma busca interior, o que pode ter um efeito profundo naqueles que igualmente buscam por algo espiritual – e isso, juntamente com sua música, poderia explicar o extenso poder de atração que o U2 desperta.

Ainda assim, ter certeza de que esse “algo” foi encontrado é anular esse “algo” enquanto fé. Garrett destaca: “Muitos americanos estão comprometidos com uma visão de fé como uma crença absoluta. São pessoas que ficam sentadas olhando para o relógio. E foi para essa tarefa que Bono convocou as igrejas americanas: este modelo de salvação que ignora o fato de que fomos colocados aqui por uma razão especial, além da salvação pessoal. E é isso o que ele tem de mais persuasivo a oferecer: a ideia de que estamos juntos nessa jornada, caímos e nos levantamos juntos, carregamos uns aos outros”.

A faixa título do último álbum da banda, No Line on the Horizon (nenhuma linha no hrizonte) – o álbum mais voltado para a espiritualidade desde os primórdios do U2 – parece ser prova disso. Existe a imagem em si, a ausência de uma linha, um destino final. A canção também trás duas frases que valem ser destacadas: “O infinito é um bom lugar para começar”, e “O tempo é irrelevante, não é linear”.

Razim acha isso parecido com a abertura do Mar Vermelho. “Para mim, é como Deus abrindo um caminho onde parecia não haver caminho algum”. É a visão abrangente do cosmo, e do que está além dele, que não combina bem com a idéia do céu como um final de partida vitorioso. Tanto é que Bono disse à revista evangélica Christianity Today: “Costumo achar que a religião obstrui o caminho de Deus”. E The Edge falou à Hot Press em 2002: “Ainda tenho uma vida espiritual, mas não sou muito fã da religião por si só”.

Turnê eclesiástica

A Christianity Today definiu a turnê de Bono pelas igrejas americanas para incentivar o auxílio à África como “uma experiência de igrejas que deixam Bono com uma eclesiologia tão frágil que mede a missão da igreja quase que exclusivamente em termos geográficos”.

Garrett, porém, vê progressos nos trabalhos não-musicais de Bono. “Acho que hoje em dia mais pessoas acreditam nesta ideia de que a igreja precisa ser mais responsiva às necessidades do mundo e menos focada na salvação pessoal – especialmente entre os cristãos jovens. Acho que eles estavam na linha de frente disso”.

A música da banda encontrou seu caminho nas igrejas americanas através do serviço eucarístico U2charists, que vêm sendo realizado nos últimos seis anos.

Razim supervisionou dois deles na Palmer Memorial Episcopal Church: na passagem do ano de 2008 e no feriado de Juneteenth em 2009 – ambos com capacidade máxima de lotação. Um próximo está programado para o réveillon de 2009. A música de U2 é cantada e o dinheiro é arrecadado para as Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, condição imposta pela banda em troca de permitir que sua música seja veiculada sem royalties.

Ela diz que o U2charist é uma ação genuína, além de apoiar o envolvimento comunitário da igreja.

E, apesar de um relacionamento de certa forma tenso entre o U2 e qualquer organização religiosa em particular, Razim, assim como Garrett, vê afinidade na espiritualidade da banda. “Tem a ver com buscar, procurar”, disse ele. “A primeira vez que ouvi uma canção do U2 eu detectei isso. É uma jornada, com a fé se desenvolvendo e fazendo perguntas difíceis. Acho que a música deles confirma e fortalece isso, ela é uma verdadeira expressão de quem somos neste lugar e neste momento”.

CONFIRMADO: Igreja Universal fez transações ilegais, segundo Ministério Público

CONFIRMADO: Igreja Universal fez transações ilegais, segundo Ministério Público

O Ministério Público Federal tem em seu poder documentos que indicam o uso de uma casa de câmbio chamada Diskline para fazer remessas de pelo menos R$ 17,9 milhões, em valores atualizados, para uma conta bancária em Nova York cuja beneficiária era a Igreja Universal do Reino de Deus.

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As remessas ocorreram, segundo as investigações, por meio de dólar-cabo, um sistema clandestino de transações internacionais que foge do controle do Banco Central. Por esse sistema, combatido pela Polícia Federal desde que foi descoberto, em meados dos anos 90, doleiros do país abastecem contas de brasileiros no exterior sem que o BC tenha conhecimento das operações.

É uma espécie de compensação paralela entre contas bancárias abertas no exterior em nome de empresas “offshore” sediadas em paraísos fiscais. O dinheiro é entregue pelo cliente ao doleiro, no Brasil, em espécie. Simultaneamente, o mesmo valor, excluída a “taxa de administração” cobrada pelo doleiro, é transferido de uma conta aberta fora do Brasil em nome de empresa de fachada controlada pelo doleiro. Operações desse tipo são consideradas, nos EUA, retransmissões ilegais de fundos.

Os documentos que revelam as operações foram produzidos pela Assessoria de Análise e Pesquisa da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, tendo como base os achados das ações da PF e da CPI do Banestado. Num disquete apreendido na sede da Diskline e periciado pela PF, foi achada uma tabela que descreve 24 remessas feitas entre agosto de 1995 e fevereiro de 1996 no total de R$ 7,5 milhões, ou R$ 17,9 milhões atualizados pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor).

O dinheiro era entregue por uma pessoa identificada pelo código “Ildinha/Fé” e tinha como destino final a conta nº 365.1.007852 do antigo Chase Manhattan Bank de Nova York (EUA), adquirido no ano 2000 pelo JP Morgan, dando origem ao JPMorgan Chase & Co.

Conforme documentos constantes do CD-Rom, as operações envolvendo o nome de “Ildinha/Fé” são operações em que a diretora do Banco de Crédito Metropolitano e de empresas do grupo da Igreja Universal, sra. Alba Maria Silva da Costa, fazia com a mesa de operação da empresa Diskline de São Paulo, sendo o nome “Ildinha/Fé” uma referência à funcionária da igreja de nome Ilda, que, inicialmente, era encarregada de levar as malas de dinheiro para a empresa Diskline”, apontou o relatório.

Alba Maria, referida no relatório, é uma das pessoas denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo, ao lado do líder da Iurd, Edir Macedo, por supostos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ela foi executiva de empresas controladas pela igreja.

Segundo as investigações, a Diskline teve como sócios Marcelo Birmarcker e Cristiana Marini. “Eles estão na relação de doleiros investigados no caso Banestado, sendo ambos titulares de três contas no Merchants Bank de Nova York, banco em que vários doleiros brasileiros possuíam conta e que teve o sigilo bancário afastado no curso das investigações”, prossegue o relatório datado de 22 de março de 2007.

Segundo o documento, as três contas do Merchants controladas por aqueles investigados são a Milano Finance (nº 9005035), a Pelican Holdings Group (nº 9007110) e a Florida Financial Group Ltd. (nº 9010264). Elas movimentaram (soma de entradas e saídas de recursos), entre janeiro de 1998 e janeiro de 2003, aproximadamente US$ 164 milhões.

Trading

Outro relatório federal descreve operações da “offshore” CEC Trading Corporation, aberta em nome do irmão de Edir Macedo, Celso Macedo Bezerra, com a empresa Beacon Hill Service Corporation, fechada em 2003 pelas autoridades dos EUA sob acusação de retransmissão ilegal de fundos.

A Beacon Hill –que no Brasil deu origem à maior operação deflagrada contra doleiros, a Operação Farol da Colina– transferiu US$ 76 mil para a CEC Trading entre dezembro de 1997 e junho de 1998. Os recursos foram transferidos por meio de uma subconta denominada “Titia”, igualmente gerida por doleiros do Brasil.

‘Nos contratos de câmbio recebidos do Banco Central do Brasil há a informação de que a Rádio e Televisão Record S.A. remeteu para o exterior a quantia de US$ 1,2 milhão para a CEC Trading Corporation, na mesma conta que recebeu recursos de doleiros da Beacon Hill, qual seja, a conta nº 3871339802, mantida no Barnett Bank da Flórida’, diz relatório da Procuradoria-Geral da República de outubro de 2005.

Outro lado

A Igreja Universal do Reino de Deus, procurada pela Folha na semana passada para falar sobre os relatórios em poder do Ministério Público Federal, informou na quinta-feira, por meio de sua assessoria, que não comentaria o assunto por falta de informações suficientes.

Em e-mail enviado às 13h42 da última terça-feira, a Folha detalhou os principais pontos dos relatórios do Ministério Público Federal e fez sete perguntas à Igreja Universal.

Eis a íntegra da nota enviada, em resposta, por sua assessoria: “Os advogados do escritório Moraes Pitombo não conseguiram ter acesso à investigação do Ministério Público e por esse motivo a Igreja Universal do Reino de Deus não irá se pronunciar a respeito desses fatos. As perguntas referentes ao senhor Celso Macedo e à Rede Record devem ser direcionadas a eles, pois a igreja responde somente por ela”.

Após a resposta da Igreja Universal, a Folha procurou a Rede Record e também pediu os telefones e contatos de Celso Macedo, citado nos relatórios do Ministério Público.

Em e-mail enviado à Folha, a Record confirmou uma transação comercial com a CEC Trading. “A Rádio e Televisão Record S/A não efetivou conforme o narrado acima [em perguntas enviadas pela Folha]. As transferências de valores que existiram à CEC Trading Corporation foram devidamente registradas através do Banco Central, referente ao pagamento de importação de equipamentos para o exercício de sua atividade”, afirmou.
Celso Macedo não foi localizado para comentar o assunto.

Em entrevista à Folha em agosto passado, o advogado dos líderes da Igreja Universal do Reino de Deus que foram denunciados pelo Ministério Público, Arthur Lavigne, negou quaisquer irregularidades.